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Esse Filme Não Quer Te Entreter — Quer Te Deixar Desconfortável: O Fenômeno dos Filmes Perturbadores de 2025

Montagem dividida ao meio mostrando, à esquerda, uma criança com olhos injetados e uma marca circular vermelha ao fundo, e à direita, uma mulher com lágrimas de sangue e sangue escorrendo pela boca aberta.
O Limite do Visível: 2025 consolidou uma nova era de horror onde o desconforto visual é apenas a porta de entrada para discussões psicológicas profundas. (Foto: Reprodução/Zoom360).


O cinema sempre foi uma janela para o fantástico, o heroico e o reconfortante. No entanto, existe uma vertente que desafia a própria função do entretenimento tradicional: o cinema de transgressão e o terror psicológico extremo. Em 2025, essa tendência atingiu um novo patamar de intensidade, provando que existe um público crescente ávido por obras que não oferecem escapismo, mas sim um confronto visceral com o incômodo.

A grande questão que ecoa nas salas de cinema e fóruns de discussão é: por que pagamos para nos sentir mal? A resposta reside na busca por sensações que o cotidiano não oferece e na capacidade que essas obras têm de nos fazer refletir sobre os limites da moralidade e da existência. Este ano, o título que carrega a coroa desse mal-estar é “Faça Ela Voltar” (Bring Her Back), uma obra que prometeu — e cumpriu — ser a experiência mais perturbadora da temporada.


I. O Reinado do Desconforto: “Faça Ela Voltar” (Bring Her Back)

Retrato de uma criança olhando para cima com olhos avermelhados e expressão aflita. Uma mão com unhas metálicas toca sua testa, e há uma auréola vermelha pintada de forma rústica atrás de sua cabeça.
Rituais de Desespero: "Bring Her Back" explora o luto e o sobrenatural através de imagens simbólicas que evocam sacrifício e agonia. (Foto: Reprodução/Sony Pictures).

Se 2024 teve seus expoentes, 2025 foi dominado pela nova criação dos irmãos Danny e Michael Philippou, os mesmos cineastas que revitalizaram o gênero com Fale Comigo (2022). Em seu novo longa, eles abandonam qualquer vestígio de “terror comercial” para entregar um pesadelo sobre luto, corpo e o pós-morte.

A Premissa Macabra

O filme explora uma crença sombria: a de que, após o óbito, o espírito humano não abandona o corpo imediatamente, permanecendo preso à carne por meses em um estado de semiconsciência. A trama acompanha personagens que, movidos pela dor do luto, utilizam rituais arcaicos para tentar trazer uma pessoa querida de volta. O resultado não é uma reunião emocionante, mas uma descida a um horror biológico e espiritual sem precedentes.

Por que é tão Perturbador?

Diferente dos filmes que apostam em sustos repentinos (jump scares), “Faça Ela Voltar” utiliza o chamado “terror de atmosfera” e a intensidade gráfica para criar um estado de inquietude constante. A crítica aclamou o filme justamente por sua capacidade de deixar o público fisicamente desconfortável, explorando a claustrofobia do corpo humano e a perversão de rituais sagrados. É um filme que, nas palavras de muitos espectadores, “gruda na pele” muito tempo após as luzes se acenderem.


II. A Estética do Medo em 2025: Outros Destaques

Embora Faça Ela Voltar tenha liderado as conversas sobre choque, o ano de 2025 foi generoso para quem busca o terror em suas diversas formas de desconforto.

1. “Nosferatu” (Robert Eggers)

Close-up frontal de uma mulher jovem com expressão de choque, olhos arregalados e lágrimas de sangue escorrendo pelas bochechas. Sangue escuro transborda de sua boca aberta em um ambiente de iluminação sombria.
O Medo Ancestral: O remake de Nosferatu aposta no horror visceral para reinterpretar o mito do vampiro sob uma ótica perturbadora e sangrenta. (Foto: Reprodução/Focus Features).

Abrindo o ano com uma estética refinada, o remake do clássico de 1922 dirigido por Robert Eggers trouxe de volta o terror gótico existencial. Eggers, conhecido por sua precisão histórica e atmosfera densa, elevou o mito do vampiro a um patamar de horror que foge da ação para focar na obsessão e no macabro, entregando uma das experiências visuais mais inquietantes do cinema moderno.

2. “Weapons” (A Hora do Mal)

Uma criança com maquiagem sombria ao redor dos olhos e um sorriso sinistro pintado de vermelho encara a câmera de forma ameaçadora em uma sala de aula. Ao fundo, prateleiras com livros e desenhos infantis.
Inocência Corrompida: Em "Weapons", o ambiente cotidiano se torna o palco para uma trama que desafia a percepção de segurança do espectador. (Foto: Reprodução/Warner Bros.).

Muitas vezes descrito como um “pesadelo suburbano”, Weapons destaca-se pelo uso magistral do design de som. O filme evita fórmulas óbvias e aposta em um medo silencioso e enervante que se infiltra na rotina comum de uma vizinhança, provando que o desconforto pode estar escondido atrás de cercas brancas e janelas fechadas.

3. “Observadores” (The Watchers)

Quatro pessoas paradas lado a lado dentro de uma grande estrutura de concreto aberta e brutalista no meio de uma floresta escura. A iluminação vem de três claraboias quadradas no teto da estrutura.
Vigilância Constante: "Observadores" utiliza o isolamento e a arquitetura opressiva para criar um suspense onde o perigo é invisível, mas onipresente. (Foto: Reprodução/New Line Cinema).

O fenômeno do streaming não ficou atrás. Disponível na Netflix, este thriller conquistou o público com sua premissa de mistério sombrio. A atmosfera inquietante é o ponto forte aqui, explorando a paranoia de ser observado por forças desconhecidas em um ambiente isolado, alimentando o medo primitivo do desconhecido.


📺 Onde Assistir aos Destaques de 2025

Se você tem estômago para enfrentar o desconforto, confira onde cada um desses filmes está disponível:

·         Faça Ela Voltar (Bring Her Back):

o    Digital: HBO Max e Prime Vídeo.

·         Nosferatu:

o    Streaming: Prime Video.

·         Weapons (A Hora do Mal):

o    Streaming: Prime Video.

·         Observadores (The Watchers):

o    Streaming: Já disponível para todos os assinantes da Netflix.

o    Aluguel: Também pode ser encontrado no YouTube Filmes e Google Play.

III. Por Que Buscamos Filmes que nos Deixam Mal?

A psicologia por trás do consumo de filmes perturbadores sugere que essas obras funcionam como um “simulador de ameaças”. Em um ambiente seguro (o cinema ou o sofá de casa), podemos experimentar níveis extremos de medo e angústia sem perigo real.

  • Catarse Emocional: O alívio sentido após o fim de um filme intenso pode ser viciante.
  • Exploração do Tabu: Filmes como Faça Ela Voltar tocam em temas que a sociedade prefere ignorar, como a decomposição e a natureza do espírito, oferecendo uma válvula de escape para curiosidades mórbidas.
  • Testemunho Social: Muitas vezes, o “incômodo” é uma metáfora para problemas reais, como traumas geracionais ou crises sociais, traduzidos em imagens de horror.

IV. O Futuro do Terror Pós-2025

O sucesso de crítica e público desses títulos indica uma mudança de paradigma. Neste sentido, o espectador moderno está saturado de fórmulas repetitivas e busca algo que provoque uma reação física. O terror deixou de ser somente sobre monstros para se tornar sobre a fragilidade da mente e do corpo humano.

Filmes que não querem te entreter, mas sim te confrontar, estão se tornando o novo padrão de excelência no gênero. Eles nos lembram que o cinema é uma arte poderosa o suficiente para não somente nos fazer sonhar, mas para nos fazer tremer diante da realidade de nossas próprias sombras.


V. Conclusão

Se você busca uma experiência que desafie seus sentidos e o deixe refletindo por dias, as opções de 2025 são o ponto de partida ideal. Seja através da exploração ritualística de Faça Ela Voltar ou da atmosfera gótica de Nosferatu, o cinema perturbador deste ano provou que o desconforto é uma das ferramentas mais potentes da narrativa cinematográfica. Prepare o estômago e a mente: esses filmes não foram feitos para você relaxar.


 



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